Tropeiro viaja mais de 1 mil km a cavalo para arrecadar doações à Apae

 
O tropeiro Kleber Ferreira Bing tem percorrido o caminho das tropas utilizando apenas dois cavalos. Por mais de 1 mil quilômetros, ele para de cidade em cidade para arrecadar doações e ajudar os internos da Associação Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) do Paraná, seu estado natal. Um sítio de Sorocaba (SP) recebeu os cavalos da raça manga larga paulista, Durango e Magaiver, utilizados na expedição, para alimentá-los e dar descanso por dez dias.
 
"Estudei a anatomia deles e vi que um cavalo a noite anda de 10 a 15 km pastando. Eu sabia que se eu andasse 20, 20 km, não seria nada. Quando eu chegava em alguma cidade, comprava água e comida para eles, se ninguém oferecesse. Primeiro eram eles. Depois arrumava lugar para eles dormirem, depois eu cuidava de mim", afirmou Bing.
 
A aventura começou no dia 5 de novembro na cidade de Viamão, no Rio Grande do Sul. Até chegar em Sorocaba foram 1.600 quilômetros de estrada em cima dos cavalos e a pé. Durante o percurso, Bing passou por mais de 50 cidades de vários estados. Apenas o trajeto foi planejado. Comida e lugar para dormir ele só obteve por causa da solidariedade dos amigos que fez pelo caminho.
 
"Quando as pessoas descobriram que eu estava na estrada, me cercavam com carne, comida, ração para os animais. Tiravam os filhos dos quartos para eu dormir neles. Soltavam os melhores cavalos nos campos para dar cocheira para os meus cavalos. Acho que a esperança vem através do amor", disse.
O empresário Sérgio Monteiro abrigou o grupo em Sorocaba. Foram quatro dias de amizade e muitas histórias boas pra ouvir. "Fico imaginando como foi esse trajeto que ele fez. Porque, como somos de Sorocaba e representamos uma parte do caminho das tropas, a gente já passa por muita dificuldade. Fico imaginando o que ele passou nesses três meses. Ele tem determinação", destacou.
 
Além de reviver o passado e a trajetória dos tropeiros que vinham do sul do país para as tradicionais feiras de muares, o tropeiro tem outro objetivo. Um muito mais importante. "A cidade que eu nasci me convidou para fazer um evento e chamar a atenção de empresários e construir um sistema de hidrante, que custa R$ 95 mil, e eu topei. Isso para a Apae. E os bombeiros deram prazo. Quanto mais rápido conseguir isso, melhor. Só tenho R$ 10 mil até agora. Não foi fácil, não está sendo fácil, mas não vou desistir", afirmou.