Programas com nove páreos será tendência do Jockey Club Brasileiro

Antenado com o estilo europeu da PMU, sua grande parceira na atividade turfística, e também interessado nas transmissões dos programas dos principais hipódromos norte-americanos, Aqueduct, Gulfstream Park e Santa Anita, que organizam corridas de no máximo nove páreos, o Jockey Club Brasileiro, deve seguir esta premissa a partir de agora. Os observadores mais atentos puderam constatar esta tendência na formação dos programas das últimas semanas, no Hipódromo da Gávea. Amanhã, sábado, serão disputados oito páreos, o mesmo número da próxima terça-feira. No domingo e na segunda-feira, este número aumenta, apenas para nove. Este também é um fator marcante no turfe dos simulcastings internacionais.
 
O turfe brasileiro, durante longos anos, esteve bem mais próximo do estilo dos clubes hípicos sul-americanos, os seus coirmãos. Na Argentina, por exemplo, cujos principais hipódromos são Palermo e San Isidro, é bastante comum a realização de no mínimo 14 páreos. Ontem à tarde, por exemplo, foram disputadas 17 provas, em San Isidro. Trata-se de fato comum também em Palermo. E até mesmo em La Plata, o terceiro em maior importância entre os prados portenhos, 14 provas parece ser a quantidade padrão, como é o caso de hoje à tarde.
 
No Chile acontece o mesmo fenômeno cultural. Por ocasião dos grandes eventos turfísticos, a rotina é começar a programação pela manhã, com a largada do primeiro páreo, entre 10h30m ou 11h. As corridas se prolongam até à noite, algumas vezes, com quase 20 páreos disputados. As famílias e os amigos passam o dia no prado, entre piqueniques, food trucks, e brinquedos para as crianças. O peão dos hipódromos é aproveitado como espaço para a colocação de escorregas, balanços, pula-pula e outras bugigangas para distrair a raia miúda. 
 
Nos próximos anos deveremos observar esta mudança gradativa na rotina do turfista carioca. A diminuição do rebanho de equinos no país, o desaparecimento de alguns haras tradicionais, aliados a esta guinada cultural, são fatores que juntos deverão proporcionar novos tempos. A possibilidade de 12 páreos, nos sábados e domingos, algo comum, nas décadas de 70, 80 e 90, no dia a dia dos aficionados, agora vai fazer parte do passado. Um passado glorioso, nostálgico e histórico. Entretanto, pelas circunstancias, não voltará mais.
 
por Paulo Gama