Potrancos da raça crioula na Expointer ocupam 58% das vagas

Imagem: Daymon Grocheviski
 
Com o final do ciclo Morfológico se aproximando, a surpresa: a presença de potrancos na Expointer ocupa 58% das vagas. Este dado comprova que a evolução constante do Crioulo está na esteira para atingir um nível exemplar de qualidade genética no universo equino. Neste cenário, as provas que estimulam o investimento na Raça ganham força no novo ciclo. As Exposições Incentivo da Primavera já estão sendo organizadas pelos Núcleos e se tornam cada vez mais um bom palanque para os criadores. 
 
Embora não seja uma prova oficial, o Incentivo é coordenado, além do Núcleo que o realiza, pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC). “Conseguimos chegar em uma final Morfológica, onde a pressão de seleção é altíssima, com um grande número de animais jovens - para o futuro e a capacidade de renovação da raça, isso é sensacional, porque mostra que evoluímos não somente em quantidade, mas em qualidade também”, acredita o veterinário, técnico e jurado da Raça, Rodrigo Py. 
 
Para o profissional, a grande quantidade de animais nas categorias de potrancos na final Morfológica acaba influenciando na base, pois incentiva os criadores a criar um interesse precoce por seus animais, o que refletirá significativamente no número de Crioulos confirmados. Assim, o investimento em potros para competir na categoria inicial, oferece um bom custo benefício. Desde o desmame, é possível preparar um animal para as condições de pista em até 100 dias. 
 
Preparo
Os animais que estão sendo desmamados agora (atualmente com 8 ou 10 meses) já podem ser alocados em cocheiras. Devido o frio do inverno, o local, mais acolhido, auxilia a manter a qualidade da pelagem, além de acostumar o potro com o cenário oferecido pelos eventos. “Alguns preferem desmamar já em condições de pastagem para que ele siga se desenvolvendo”, explica Py. Se este for o caso, a cocheira deve recebê-lo entre 30 e 60 dias após este período. Neste ambiente, é importante manter a atenção no preparo, que será o requinte decisivo para que a cria se enquadre no nível atual das pistas morfológicas. 
 
Boa alimentação e exercícios leves são indispensáveis no período das baias individuais. Py frisa o cuidado no excesso de trabalho em redondel - para evitar lesões, arenas com muita areia devem ser evitadas. Nesta idade de formação óssea, também é importante não confundir preparo com sobrepeso ou excesso de treino. Com este manejo, o profissional garante o sucesso do animal na Primavera, além de uma vida mais salutária. 
 
Pós campanha
A maioria das Exposições de Primavera são agendadas entre setembro e dezembro. Terminada a campanha, é importante que os animais envolvidos sejam soltos à campo para que tenham um maior contato com a natureza e se exercitem de forma espontânea. Caso o potro siga com um bom desenvolvimento e com qualidades morfológicas que justifiquem seguir nas disputas, depois do inverno, ele deve voltar à cocheira, para ser preparado em março/abril. “Essa alternância da cocheira com o campo é fundamental para os animais jovens”, garante. 
 
A Morfologia ideal
Ao analisar a morfologia do potro, os jurados observam as mesmas características raciais que são parâmetro para a idade adulta. O especialista cadastrado na ABCCC esclarece que busca animais típicos, boa qualidade de aprumos e linha superior, além de um bom equilíbrio nas suas partes. “Não podemos esquecer que se trata de um cavalo de trabalho, para ser montado, então também precisamos que ele tenha boas angulações, para que consiga desenvolver com qualidade e eficiência seus movimentos”, explica Rodrigo. Ele ainda acrescenta que por serem animais jovens, o julgamento acaba adotando uma seleção ainda mais acentuada - já que esses serão os representantes em pista da Raça na idade adulta.